Yannick Djaló emocionado em tribunal ao recordar irmã: «Justo era ela estar aqui!»

O futebolista, que é assistente no processo do homicídio, revelou os momentos de dor que viveu depois da tragédia. À TV 7 Dias confessou o que o invade quando está frente a frente com o assassino.

26 Out 2019 | 17:50
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Começou na passada segunda-feira, dia 14, no Tribunal de Almada, o julgamento de Abel Fragoso, o jovem de 22 anos que atropelou mortalmente a irmã de Yannick Djaló, no dia 15 de setembro de 2018, nas festas da Moita. Visivelmente emocionado, o jogador, que é assistente no processo, revelou na sala de audiência que no fatídico dia se encontrava na Tailândia e que depois de ter sido informado da tragédia ainda foi obrigado a treinar.

«Acredito na justiça e acho que a justiça irá ser feita»

«Era de madrugada quando me ligaram, primeiro a dizer que tinha havido um acidente grave. Depois disseram-me que a minha irmã Açucena tinha morrido atropelada. Tinha treino e quando cheguei ao estádio falei com o presidente. Obrigou-me a treinar. Durante o treino corriam-me as lágrimas. Foram os piores dias da minha vida», garantiu Yannick, que acabou por rescindir com o clube, que o queria impedir de viajar para Portugal para participar nas cerimónias fúnebres.

O jogador, que tinha a irmã como uma filha, disse ainda ao coletivo de juízes que a sua vida nunca mais foi a mesma. «Acordo muitas vezes durante a noite», confidenciou. À saída do tribunal, Yannick disse à TV 7 Dias que estava confiante. No entanto, deixou claro que nenhum desfecho irá repor a sua perda. «O justo era a minha irmã estar aqui neste momento, portanto, de resto, os juízes saberão melhor do que eu dar o veredicto», afirmou o jogador, que, quando se vê frente a frente com o homicida da irmã, tem um sentimento de «tristeza», justificando: «Pela perda que tive por uma irresponsabilidade. Mas acredito na justiça e acho que a justiça irá ser feita.»

«Perdi o controlo do carro por causa da areia na estrada»

Abel Fragoso, que se encontra preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Setúbal, e que está a ser julgado por 17 homicídios qualificados, um consumado, e 16 na forma tentada, para além da acusação por condução perigosa, apresentou nesta primeira sessão uma nova versão dos acontecimentos. Se, após a detenção, o jovem admitiu que tinha atropelado o grupo onde se encontrava Açucena, na Travessa do Açougue, intencionalmente e como vingança, pensando que se tratava do grupo que minutos antes o tinha agredido, agora assegurou que não agiu intencionalmente.

«Perdi o controlo do carro por causa da areia na estrada, tinha a carta há dois meses e não sei se carreguei no travão ou no acelerador», disse, adiantando ainda que quando entrou na rua, que segundo a GNR estaria fechada ao trânsito, ia ter com os amigos a um bar, a uma velocidade de cerca de 30 km/h.

«Estava humilhado e confuso devido às agressões e foi quando perdi o controlo do carro», garantiu. Para justificar a primeira versão, onde admitia a intenção, Abel afirmou que apenas disse o que a advogada nomeada o aconselhou, não estando na altura com plena consciência. Uma das intenções do réu é ver a acusação ser alterada de homicídio qualificado para homicídio negligente. Yannick Djaló acredita que os intentos do assassino da irmã não se concretizarão.

«Acho que a mentira não irá prevalecer»

 

«Acho que a mentira não irá prevalecer.» Nesta audiência foram ainda ouvidos quatro agentes da GNR que desmentiram a teoria de Abel, garantindo que este entrou na rua que dava acesso à travessa, ia a «alta velocidade», e antes de embater no grupo que se encontrava na Travessa do Açougue já tinha tentado atropelar outros dois grupos, o primeiro uma formação de GNR, onde os próprios alinhavam, que seguia na via. «Tivemos de saltar para não sermos atropelados», disse um polícia. Os agentes acrescentaram que Abel ainda engrenou a marcha-atrás para fugir do local, mas não o conseguiu fazer.

No final da sessão, Pedro Madureira, o advogado de Abel, questionado sobre a mudança de versão do seu cliente e sobre o facto de esse ter dito que teria sido a primeira advogada a aconselhá-lo a assumir a intenção, assegurou: «O que é um facto é que ele me diz isso desde o primeiro dia que entrou em contacto comigo.»

Pragal Colaço, advogado de acusação, contratado por Yannick Djaló, sublinhou: «Já é a terceira versão que o senhor apresenta» e rematou: «Nós vivemos numa sociedade em que geralmente culpamos sempre os outros e nunca assumimos a responsabilidade (…) e ele ali desculpou-se com a advogada. Mas ele até disse uma coisa que nem é bem verdade, porque no primeiro interrogatório judicial descreve o que aconteceu, mas não confessa aquilo tudo, o que ele diz é que estava cego e tinha-se deslocado ao local por uma questão de revanchismo, porque tinha sido humilhado, portanto eu não vejo onde é que estará essa desculpa fundamentada.»

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Textos: Susana Meireles; Fotos: Arquivo Impala e DR

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