Sónia Brazão: choque e sofrimento no hospital

Sónia Brazão revela pormenores que viveu no hospital depois do grande acidente que lhe mudou a vida, há sete anos.

06 Abr 2018 | 16:41
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Considerada umas das mulheres mais sensuais da televisão portuguesa, Sónia Brazão foi capa da revista masculina GQ, em 2008, três anos antes do grande acidente que lhe roubou a pele e quase lhe tirou a vida.

«Super Pai», «Morangos Com Açúcar», «A Outra», «Mar de Paixão», foram algumas das novelas e séries da TVI em que participou. Mas foi há sete anos, mais precisamente a 3 de junho de 2011, que deixámos de ver a Sónia  – «Margarida» como agora se intitula –  na «caixinha mágica» a interpretar papéis na ficção nacional para a passarmos a ver nas notícias de todos os noticiários. 

A atriz ficou ferida numa explosão de gás na sua casa em Algés, tendo ficado com queimaduras graves em todo o corpo. Sónia Brazão abre agora o coração a Cristina Ferreira e detalhes sobre o período em que esteve hospitalizada. 

«Precisei de silêncio. De ouvir o silêncio novamente. De não ouvir o meu nome.Não há Sónia Brazão, mas há Sónia Margarida», começou por revelar à apresentadora. Sónia afirmou que para curar uma «grande ferida» na alma eram precisos quatro ingredientes: «tempo, amor, silêncio e arte».

 

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Com 43 anos, Sónia voltou a viver com a mãe que foi quem tomou conta da atriz depois do pesadelo do acidente. «A minha mãe tomou tão bem conta de mim que, por mais que eu tome conta dela, nunca vou conseguir retribuir-lhe tudo aquilo que ela fez por mim», revelou emocionada.

 

Sónia não se recorda do acidente

Sonhadora, Sónia confessou que não existe «pessoa certa» e que já teve mais pena por «não ter sido mãe». Agora, concentrada no trabalho como professora, a atriz dá aulas de técnica de representação e aí tem a arte todos os dias com ela. Um dos ingredientes que precisava para a sua recuperação. 

A atriz não se recorda do acidente, nem sabe ao certo como tudo aconteceu. «Para dizer a verdadenão me lembro daquela noitedaquela manhã, ou daquela tarde», revelou à revista CristinaEstava bem emocionalmente e andava na correria do dia a dia. Tinha terminado há pouco tempo um trabalho intenso, a Laura na novela «Mar de Paixão». 

«Disseram que eu tinha bebido, e depois provou-se que não. O Tribunal não diz que fui eu. O Tribunal diz que foi em minha casa», contou.

 

«Eu nem sequer conseguia abrir os olhos ou beber água sozinha»

 

Quando questionada por Cristina se já tinha tido pensamentos «suicidas», Sónia Brazão foi clara: «Toda a gente tem na vida. Não há ser humano neste mundo que não o tenha». «Eu lembro-me de ter consciência de uma dor tão forte, que eu já nem a consigo memorizar. E só queria que não me tocassem, porque me doía tudo», revelou.

 

Sónia tinha queimaduras em 92.8% do corpo. «Ninguém faz ideia do que é uma Unidade de Queimados. Não se consegue abrir os olhos, porque a membrana cola. Eles, ao príncipio, não nos deixam. Estamos muito tempo sem sequer nos vermos ao espelho. O espelho também é a última coisa que a gente quer ali. O instinto de sobrevivência é tanto», confessou na entrevista.

Sónia tinha uma televisão no quarto onde via apenas desenhos animados e novelas. A mãe e o irmão estiveram sempre a seu lado e nunca a questionaram se «queria ou não acabar com a sua vida». O que importava era que Sónia ficasse «bem» e «viva».

 

«A primeira vez que eu tive consciência foi no dia da morte do Angélico»

 

Sónia Brazão contou a Cristina Ferreira que não se «volta logo à vida real» depois de um acidente como o que lhe aconteceu. «Eu não voltei logo. A primeira vez que tive consciência e que vi as notícias na televisão, foi no dia da morte do Angélico. Aí, eu tive o meu primeiro e único ataque de pâncio no hospital», revelou. 

A atriz sentiu que o «mundo estava ao contrário». Quando questionada pela apresentadora da TVI se a dúvida relativamente à explosão iria ficar para o «resto da vida», Sónia disse:

«Se Deus existe é, também, uma dúvida de há milhares de anos. E toda a gente vive bem com isso. E eu também vou viver bem com esta dúvida», afirmou.

 

 

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