Em tempo de pandemia, morre-se sozinho: «A família não tem direito a despedir-se»

Uma reportagem transmitida n’O Programa da Cristina revela como se alteraram as cerimónias fúnebres devido à pandemia da Covid-19. As imagens, «duras e cruas», deixaram a apresentadora sem reação.

16 Abr 2020 | 19:40
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É «difícil de ver» e «de sentir». Mas é «a realidade». As palavras, escritas nas redes sociais, são de Cristina Ferreira e servem para descrever uma impressionante reportagem transmitida na emissão desta quinta-feira, 15 de abril, d’O Programa da Cristina. Nela, é dada a conhecer a realidade de quem lida com os mortos. De quem os veste pela última vez. De quem os coloca na urna. De quem os entrega aos seus para o último adeus. Uma realidade que se transformou drasticamente por força da pandemia da Covid-19.

Artur Palma, agente funerário, interveio no matutino da SIC para explicar como é hoje o dia-a-dia. Dele e de quem com ele trabalha. Mas a vulnerabilidade deste profissional foi o que mais sobressaiu. «Pensei que já tinha visto de tudo, que já tinha passado por tudo. E passei por grandes processos. mas como este… Jamais em tempo algum», desabafou.

«Nós estamos na linha da frente. Todos nós temos muito medo – muito medo mesmo -, porque, se houver qualquer descuido, estamos suscetíveis a apanhar o vírus. Não estávamos preparados para isto», lamentou, assumindo mesmo que esta nova forma de lidar com quem partiu, vítima ou não do novo coronavírus, coloca a ele e aos seus colegas tangentes ao limite. «Psicologicamente, isto está a levar-nos mesmo a um ponto de rutura», atirou.

 

 

O Programa da Cristina acompanhou o processo. As regras impostas pelas autoridades de saúde impedem o decurso normal do trabalho destes homens. Com criteriosos procedimentos para seguirem, os profissionais lamentam a falta de dignidade que lhes é permitida oferecer a quem já morreu. «Eles não têm o direito de serem vestidos. Vão dentro da urna e já ninguém os pode ver», relatou Artur Palma.

A identificação dos cadáveres é feita pelos agentes funerários à família. «Eu já tenho feito por fotografia. Abro o saco, tento ajeitar a face da melhor maneira, tiro uma fotografia com o meu telemóvel e depois mostro à família. Este é o único meio que tenho de mostrar à família», lamentou o mesmo profissional. Depois, vincou: «A família não tem direito a despedir-se do seu ente querido.»

É de tal forma assim que o corpo deixa aquele espaço já «dentro da urna», devidamente isolada. Esta já não volta mais a abrir-se e o corpo «segue para a cremação», onde esperam os familiares. As imagens mostradas na reportagem do programa da SIC falam por si.

O agente funerário acrescentou ainda a este relato a dor de quem fica e não pode despedir-se de quem parte. «As pessoas ficam completamente assustadas, em pânico. ‘Mas o que se passa aqui? Esta doença afinal não é aquilo que vemos na televisão. É pior ainda, porque estes senhores vêm completamente artilhados’. Com aquele teatro todo, pior ficam, como é óbvio», lamentou.

Sem reação ao ver a reportagem do seu próprio programa ficou Cristina Ferreira. Abalada com o que acabara de verr, a estrela maior da SIC fez um discurso marcado por sucessivas pausas, causadas pela emoção que tomou conta dela. «Isto é muito duro… Acho que hoje percebemos também a vida de alguns. Estas imagens são muito duras, são cruas… É isto que está a acontecer», conseguiu dizer, com a voz embargada.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: reprodução SIC e redes sociais

 

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