“Não queria ficar cá”: Pais de Fátima Campos Ferreira morreram com 15 dias de diferença

Fátima Campos Ferreira despediu-se do pai 15 dias depois da morte da mãe. Segundo a jornalista da RTP, o progenitor “desistiu de viver” após quase 60 anos de vida em comum com a mulher.

12 Out 2021 | 9:02
-A +A

Fátima Campos Ferreira recordou a morte dos pais, com apenas 15 dias de diferença um do outro. Em conversa com Cláudio Ramos e Maria Botelho Moniz no programa “Dois às 10”, da TVI, desta segunda-feira, 11 de outubro, a jornalista da RTP explicou que foi o amor que uniu os progenitores que fez com que o pai desistisse de viver apenas duas semanas depois da mãe.

“Eles morreram os dois em 15 dias. Ele disse que não queria ficar cá e foi-se embora. Desistiu de viver. Os rins paralizaram-lhe”, contou Fátima Campos Ferreira. Foi há cerca de cinco anos e a comunicadora recorda uma conversa que ouviu entre ambos.

“A minha mãe foi operada a um tumor intestinal e depois, quando foi ter com o meu pai aos cuidados continuados, onde ele estava, ela ia de maca, num estado convalescente. Ele chegou-se ao pé dela e só dizia ‘não é impunemente, não é impunemente’, lembrou, admitindo que, ao início, não entendeu o que o pai queria dizer. “Depois, lá percebi. É que eram quase 60 anos juntos”, refere a jornalista, referindo-se à forma como o pai encarava o facto de estarem os dois doentes.

 

Fátima Campos Ferreira: “A morte dos pais é uma coisa muito marcante”

 

“A minha mãe disse-lhe: ‘Luís, eu já não sou a mesma’. E ele respondeu ‘para mim, és sempre a mesma. És a minha primeira família. Antes deles [e apontou para Fátima e para o irmão], estás tu’. Isso é um grande exemplo de amor, de vida, de entrega um ao outro. Os meus pais viveram assim, por isso, é natural que o meu pai tivesse ido embora 15 dias depois”, contou ainda.

Ter testemunhado essa bonita história de amor não evitou que Fátima Campos Ferreira sentisse que podia “ter feito mais”, confessa. “A morte dos pais é uma coisa muito marcante. Nunca estamos preparados. Os pais não têm idade. É um sentimento de orfandade profundo”, termina.

 

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: reprodução redes sociais

PUB